sexta-feira, 21 de julho de 2017

Brasil: do jeito que vai sem futuro

O Estado de São Paulo
Fórum do Leitor:

Brasil: buraco sem fim

Parece que nós, brasileiros, não estamos entendendo que o Brasil e o mundo mudaram e que nos dias de hoje não há mais margem para as maluquices que estão acontecendo por aqui. A economia global pode viver sem o Brasil ou qualquer país que não tenha regras claras e economia ajustada. Hoje nenhum país do mundo, por mais estável que seja, suporta tanta irresponsabilidade e violência junta. Não paramos de trocar mensagens, conversar, e até mandar textos para as mídias, mas não fazemos praticamente nada de prático para frear a loucura que vivemos. Estamos todos cansados, eu diria exaustos, mas deixar as coisas correrem do jeito que estão correndo resultará num futuro pobre, sujo e violento para nossos filhos e netos. Será que nem eles valem uma reação forte, pacífica e sensata?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Fernando de Azevedo, meu avô


O ar de São Paulo sem a inspeção veicular

O Estado de São Paulo
Fórum do Leitor:

O termino da inspeção veicular em São Paulo foi resultado de alguma irregularidade de contrato alegou na época Haddad e sua equipe do PT.  Para reforçar a decisão alegaram que as outras cidades da Região Metropolitana não tinham controle sobre a qualidade da emissão dos veículos e que por isto a diferença de qualidade do ar na cidade de São Paulo com a inspeção veicular era pouca. Haddad diminuiu a velocidade dos veículos, o que compensou, mas seguindo a mesma linha a diminuição foi só na cidade de São Paulo, portanto as emissões nas cidades vizinhas permaneceram as mesmas. Falaram também que as ciclovias iriam ajudar a melhorar o ar, uma espécie de compensação entendi eu. Dos 400 km de ciclovias entregues até mesmo os cicloativistas concordam que pelo menos 100 km não servem para nada, isto numa cidade com mais de 17.000 km de vias pavimentadas. O número de ciclistas nas ruas cresceu, mas pouco ou quase nada representa nos índices de poluição. Mobilidades ativas, não motorizadas, fazem parte do futuro de qualquer cidade, ninguém duvida, mas deve ser planejada dentro de um contexto muito maior que inclui a qualidade das emissões veiculares, ou todos, incluindo ciclistas, vão ter problemas respiratórios cada dia mais graves. A inspeção veicular deixada por Kassab teve seu fim decretada por Haddad pode ter tido suas boas razoes, inclusive legais, mas não deixou de ser uma decisão de campanha, populista típica de PT, que afeta gravemente a saúde de toda a população paulistana. Vide o esgotamento de alguns remédios para tratamento de vias respiratórias (não gripe).

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sem perícia, sem verdade; e futuras mortes


Este filme mostra o crash test frontal em obstáculo imóvel do VW Jetta, creio que o mesmo carro envolvido no acidente que matou carbonizado o comissário de bordo na av. 23 de Maio. Se não me falha a memória a velocidade padrão num crash test é de 40 km\h. Olhando a deformação frontal do Jetta neste crash test e comparando com o que restou do acidente ocorrido nesta madrugada e sabendo que o veículo onde morreu carbonizado o comissário de bordo estava em movimento, a 50 km\h, e tem estrutura deformável, dá para imaginar que a velocidade de impacto do Jetta devia ser superior a 100 km\h. Creio que não esteja errado.
A matéria do SPTV 2 edição é boa e dá para entender:
http://g1.globo.com/sao-paulo/sptv-2edicao/videos/t/edicoes/v/motorista-do-acidente-na-bandeirantes-esta-preso-e-vai-responder-por-homicidio-doloso/6008591/

Por que estou fazendo esta análise mequetrefe? Simples: segurança no trânsito é ciência. Não dá para ficar falando besteira por ai. Besteira mata. Mata porque esconde a verdade e sem a verdade os acidentes se repetem. 
Brasileiro não é afeito a pesquisa, menos ainda a números, à verdade. Só se para a barbárie que vivemos através da lei e ordem. Não pressionar o Governo para que tenhamos mais e melhor perícia judiciária e legistas é condenar o pais a violência sem fim. 

É óbvio que não vai haver condição de perícia para saber porque o carro do comissário de bordo pegou fogo, o que não poderia ter acontecido mesmo com uma colisão tão forte. A conversa vai se manter no comportamento do advogado motorista. Detalhes técnicos vão ficar em segundo plano, mas são justamente estes detalhes que melhoram a segurança de todos.

Desculpem por ser chato e repetitivo, mas quando vamos tomar consciência e agir para parar a barbárie?

segunda-feira, 3 de julho de 2017

despolitizar, negociar

Andei ouvindo mais algumas conversas sobre o que fazer com o "sistema cicloviário" de São Paulo. Todos perdidos no espaço. O que fazer? Que passos dar daqui para frente? Como abrir espaços na Prefeitura? Muitas reclamações, muitos comentários, poucas respostas práticas. É de se esperar que no meio de toda esta baderna generalizada que vivemos no Brasil o pessoal esteja um tanto desorientado. Pelo menos tenho ouvido que "precisa despartidarizar", o que para o que tínhamos até ontem parece ser uma mudança de posição inacreditável de um pessoal que até pouco tempo não conseguia sequer ser objetivo e confundia ciclovia com Brasília. Uns ainda confundem.
Diz a sabedoria milenar que para sair de uma situação confusa é preciso dar um primeiro passo. Despolitizar é sem dúvida um belo passo rumo à luz do túnel.
Tive uma breve e superficial experiência com a coisa pública e aprendi que lá dentro as coisas fogem um pouquinho, só um pouquinho, da lógica e bom senso esperados. Tipo assim: em 2005 numa vistoria em Interlagos \ Grajaú dei de cara com a Ponte Vitorino Goulard da Silva, em Jurubatuba, paralela a barragem da represa Billings, já em estado avançado de obras. Ninguém do projeto GEF Banco Mundial para bicicletas na periferia, que reunia mais de 10 Secretarias da Prefeitura e Estado, mais CET e outros, inclusive sociedade civil, sabia da existência sequer do projeto da bendita ponte. Olharam com cara de espanto para mim, como se eu estivesse surtando, e só acreditaram quando mostrei as fotos, pior, quando foram ver pessoalmente. É uma burocracia e corporativismo infernal, um jogo de esconde-esconde ridículo. Até o diabo em pessoa deve achar aquilo fora do controle, coisa de maluco. É obvio que foi projetada e concluída com uma calçada acanhada para receber o trânsito partilhado de pedestres e ciclistas, mesmo sendo uma das áreas com maior número de ciclistas da cidade. 
Ouvi num passado não muito distante de muitos cicloativistas que "dar um passo atrás é inaceitável". Negociar, uau, estão falando em negociar, tem um pessoal falando em conversar, negociar. Bravo!
O escritor israelense Amos Oz em sua palestra para o Fronteiras do Pensamento disse 'Fanáticos sempre esperam respostas simples' e completou o pensamento com a esperança que o cansaço de conflitos vai abrir espaço para diálogo e acordos. Citou a história da humanidade como base para suas ideias. E assim é porque assim sempre foi.
Mais incrível ainda é que já ouvi aqui e ali vozes de ciclistas falando que “a cidade existe” e que “o sistema cicloviário deve estar integrado a cidade”. Um não exclui o outro, muito pelo contrário. Ainda vão chegar lá, calma que vão chegar lá. 

Sistema cicloviário não é o fim, é o meio. 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Incitação à violência

Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo
28 de Junho de 2017

Incitação à violência

É inegável que parte do acontecido na rua Augusta, que resultou em uma senhora e alguns skatistas feridos, também é fruto de incitação contínua à violência, intencional ou não, principalmente por parte de jornalistas, blogueiros e formadores de opinião ligados ao movimento da bicicleta, para iniciar com o que está mais na moda, skatistas e outras mobilidades alternativas. Sim, pedestres, ciclistas, pessoas com deficiência e qualquer um que realize mobilidade com veículo menor que um carro deve ter prioridade, como diz a Lei, o CTB, mas isto não imputa culpa e máxima pena automática ao motorista em caso de acidente. Defender uma posição desta forma é extremismo, é radicalismo, é incitação à violência. O uso da motocicleta é uma forma de modo de transporte como qualquer outra, mas a incitação à violência transformou a vida dos motoboys em guerra. Deveria ter sido o exemplo a não ser seguido, mas muitos do movimento da bicicleta decidiram declarar motoristas como assassinos por princípio, o que os números frios mostram que não são. É triste, muito triste, porque bicicleta, assim como skate, trazem consigo uma história internacional de levar à paz, ordem social, renovação da cidade, um futuro melhor para jovens, crianças, filhos e netos.

O vídeo de Renata Falzoni Atropelamento em massa de skatistas não foi acidente, foi atentado se pode ver o motorista, com um garoto no capo de o carro, sim acelerando em frente no meio da multidão, mas diminuindo a velocidade e desviando de outros skatistas que estavam no meio da rua. Num atentado em massa, como diz o título de matéria acima, o motorista buscaria fazer o maior número de vítimas possível, como se vê nas trágicas filmagens que temos dos atentados praticados na Europa e em NY.

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Logo em seguida de enviar o texto para o O Estado de São Paulo encontrei o Felipe e conversamos sobre a história. Felipe chamou o motorista de covarde e me perguntou se teria feito a mesma coisa. Minha resposta é sim, se tivesse que tirar minha mãe, ou qualquer pessoa que estivesse comigo, de lá teria seguido em frente. Felipe perguntou porque ele não virou a direita. A pergunta que faço é se a rua Augusta já estava toda fechada com cavaletes ou viaturas. Porque ele não passou por cima dos cavaletes, replicou Felipe. A questão numa situação destas tem um componente, pânico. Todo mundo sabe que Brasil é um dos países mais violentos do mundo, um dos campeões de linchamento. 
É fácil e muito perigoso para o movimento da bicicleta apontar o dedo e culpar, mesmo que a situação pareça óbvia, mas seria muito mais sensato e produtivo procurar conhecer todos os fatores que envolveram a situação. É fácil construir discórdias e ódio. Difícil e demorado é construir a paz. Para mim bicicleta é um veículo de paz. Skate também. E os outros de vez em quando cometem erros. Aliás, nós também cometemos erros. A vida é assim.
Felipe, desculpe pelo minha forma de conversar. Infelizmente o tema - violência - é visceral. Eu quero paz.

Vídeos mostram skatistas atacando carro de motorista antes do atropelamento na Rua Augusta
ps.: um erro não justifica o outro

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Semáforos desalinhados

Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo
23 de Junho de 2017

Semáforos desalinhados

Faz uns dias quase aconteceu uma colisão entre dois carros na esquina das ruas Domingos Barbiere com Hugo Carotini, no Caxingui, porque um dos semáforos, o mais baixo, estava desalinhado 45 graus, ou seja, com luz verde visível nos dois sentidos. Passo por lá a anos e o semáforo sempre esteve corretamente alinhado. Informei um agente da CET que encontrei mais adiante e este logo saiu para o local. A partir deste incidente comecei a prestar atenção nos semáforos e para meu espanto encontrei vários desalinhados, uns mais outros menos, com o foco de luz numa posição que confunde perigosamente motoristas. Contei o fato para amigos e alguns contaram que tem notado o mesmo problema em várias partes da cidade. O que está acontecendo? É comum ver caixa de sinalização arrombada, semáforo e placa de sinalização pichados, e outras depredações. Molecagem ou ação muito perigosa? Confesso minha preocupação é que seja mais uma ação política radical, ou como queiram chamar. Alguém tome providências, descubra os responsáveis e puna nos termos da lei antes de um acidente grave ou fatal.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Perdedores e vencedores

Domingo num almoço de família no meio de conversas esportivas o pessoal soube que Felipe Massa tinha saído da corrida já primeira volta. As críticas a ele e Barrichello foram imediatas e duras, como sempre. "Perdedores!" Brasileiro é impiedoso com seus esportistas, de todas as áreas. Barrichello foi e continua sendo preferência nacional para as críticas, uma espécie de ícone do esportista perdedor. Eu acho deprimente, literalmente deprimente. Acho deprimente porque este julgamento traz consigo uma análise absolutamente ignorante dos fatos. Coisa de país perdedor, o que de fato e regra somos, brasileiros.
Nelson Piquet e sua língua inteligente e ferina soltou que "o segundo colocado é o primeiro perdedor". Acertou na mosca do pensamento popular brasileiro. Um belo deboche com os que vivem fora da realidade. Afinal, porque a categoria mais complexa, sofisticada e avançada do automobilismo, e talvez de todos esportes, contrataria e manteria em longeva atividade dois pilotos como Barrichello e Massa, considerados perdedores pelos compatriotas?

Outro dia esteve no Roda Viva da TV Cultura o pesquisador da FGV Samuel Pessôa. Um dos Twiter define bem o que foi: "Surpreendentemente didático e fácil comunicação..." Samuel (1:06:10 do programa) fala que "O Brasil está condenado a mediocridade" . Não é o primeiro que faz esta análise, que tristemente ouço faz décadas e sempre me recusei a aceitar. Hoje ainda tenho dificuldade de aceitar, mas tenho dificuldade de ver outro horizonte. 
Temos que mudar muita coisa para conseguir fazer deste país alguma coisa. O marco zero é deixar para trás nosso complexo de vira-lata, como dizia já o Nelson Rodrigues na década de 50. Um dos reflexos deste nosso complexo de inferioridade destrutivo é exatamente esta falta de respeito por qualquer personalidade, trabalho ou conhecimento que não seja vitorioso ao estilo Ayrton Senna, Guga ou outros tantos.
Conheci pessoalmente e acompanhei o excelente trabalho de várias pessoas pela vida que poderiam ter de fato ter feito deste país algo bem próximo do que sonhamos, mas que tiveram seus trabalhos simplesmente jogados no lixo. Para o brasileiro são perdedores. Muito mais cômodo acreditar no grande paizão, no salvador da pátria, em ilusões, a fazer críticas sem qualquer fundamento. 

Um bom exemplo de um destes "perdedores" do Brasil vale ler o currículo de Roberto_Pupo_Moreno, mesmo que não goste de automobilismo. O Brasil está cheio de "perdedores" como ele. Triste.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Brasil: epidemia de violência

Saímos de um Brasil que sempre teve problemas de violência para viver num país metido numa inacreditável epidemia de violência. A matéria é da Globo, mas os números são oficiais e a clareza da situação é genérica. Uma violência  nunca antes vista neste país. O Brasil está passando pela Lava Jato com aplausos de toda população (ou praticamente toda, como vocês sabem). O mesmo Brasil que faz um silêncio macabro sobre a violência e seus homicídios.
A saber: em 2015 foram mais de 60.000 homicídios (sem contar trânsito).
Entre 2000 e 2015, portanto Governos Lula e Dilma, PT, o Brasil teve 853.850 mortes violentas. Pode-se dizer que o PT socializou esta epidemia de violência.
Quando nós, brasileiros, vamos tomar vergonha na cara e exigir que se investigue a possível ligação dos políticos com o tráfego de drogas, crime organizado e violência generalizada. Bobagem? Brizola e o acordo com o tráfego do Rio foi bobagem ou prenuncio? Procurem nos arquivos dos jornais.
Quanto custa o silêncio?

Pergunte aos pais de Vitor Gurman e Leonardo Araujo dos Anjos, jovens promissores mortos violentamente em acidentes de trânsito. Ou a família de Fernando, assassinado numa esquina por causa de uma relógio. Ou... ou... ou... ou...


Quem será o próximo? Uma boa opção para estar incluído na lista é ter uma bicicleta de boa qualidade e pedalar numa Sumaré, Cidade Universitária, Villa Lobos, alguma rodovia,...

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Abismo entre a realidade e o futuro

Faz mais ou menos um ano refiz o telhado de meu apartamento. Troquei as péssimas telhas onduladas de cimento alguma coisa (amianto?) por telhas termo - acústicas, a melhor coisa que poderia ter feito, o que recomendo a todos. O apartamento de último andar não é mais um forno ou uma geladeira. Ficou uma delícia. 
A empresa que realizou o trabalho mostrou um profissionalismo bem acima do padrão brasil (padrão este que merece um b minúsculo) de construção civil. Já recomendei-os para outros.
Ontem um funcionário do edifício me avisou que havia problemas com o telhado. A manta isolante de vazamentos entre a parede e a calha se soltou. E mais umas besteiras. Mandei a notícia, com fotos, para o responsável pelo trabalho no telhado. Ai a conversa descambou para a normalidade da terra brasilis. 
A primeira questão é como uma obra realizada com bons profissionais (acompanhei in loco a obra) pode em menos de um ano apresentar qualquer problema? Erro deles ou baixa qualidade do material? Um pouco de cada? Aposto numa balança pendendo para o mau material, problema crônico do Brasil. Repito: uma calçada em Milão tem que durar 25 anos. Aqui? Você me o diga.
O outro ponto que chama atenção foi a conversa que tive com o responsável pela obra no telhado, que considero um cara de bom nível, sério, educado, mas brasileiro, sim brasileiro. Não vou repeti-la aqui, mas como sempre aponta para o abismo abissal que temos em relação ao que o brasileiro até de certo nível entende por qualidade, durabilidade, custo \ benefício..., enfim estas coisas básicas, estúpidas, minímas, que fazem de um país uma nação ou paiseco de terceiro mundo que acha, dentro de sua imbecilidade, que será um país do futuro. Espera sentado e próximo de uma cama. Deste jeito jamais,.
Como bem disse um comentário neste blog sobre minhas lamentações: "Pare de reclamar e ache soluções". Confesso que não sei, não consigo achar um caminho, não durmo pensando como agir, o que fazer. Como reposicionar um país? Como fazer milhões de pessoas entenderem que via de regra 2+2 tem que dar 4, só pode dar 4, e que a história prova que os que duvidaram desta matemática básica foram empobrecendo, empobrecendo, empobrecendo... Confesso que não sei. E gostaria de saber e trabalhar numa mudança.
Calçada e calçamento em pedra portuguesa, Lisboa.
Estranho, aqui se diz que calçadas em pedra portuguesas dão problemas rapidamente.

terça-feira, 30 de maio de 2017

O imediato "nem um cm a menos"

Quando fui Bike Repórter Eldorado, entre 1999 e 2001, recebi apoio da Olympikus, marca esportiva brasileira. Me deram tênis, camisetas, bermudas, shorts, meias, cuecas... ou seja, equipamento completo, e mais algumas peças para Teresa, em particular uns bustiers que até hoje ela considera insuperáveis em qualidade e conforto. Minhas últimas peças estão acabando agora, mais de 15 anos depois, depois de uso contínuo e sem piedade. Ainda tenho um par de meias, shorts de correr, uma bermuda, a camisa oficial da seleção olímpica de vôlei patrocinada então pela Olympikus, a única que guardo para eventos especiais, como os protestos de rua. A durabilidade destes vestimentos foi excepcional para nossos dias de marcas internacionais famosas, caras e rapidamente descartáveis.
Um amigo que conhecia o que estava acontecendo na Olympikus daquela época disse que a marca estava fazendo um grande esforço para nivelar-se em conhecimento da marca e vendas com as grandes marcas esportivas internacionais, dai produtos com uma qualidade surpreendente, melhor que das concorrentes internacionais, mas o brasileiro continuou optando pelo nome e status e a Olympikus teve que se reposicionar, ou seja, voltar a realidade de ser uma marca brasileira para o gosto e sensibilidade brasileira. 
Na mesma época Teresa D'Aprile gerenciou uma loja de material esportivo onde a maioria dos tênis das grandes marcas, principalmente os caríssimos, eram comprados em trocentas prestações por pessoas de pouco poder aquisitivo. Não mudou muito porque não faz muito vi com espanto na vitrine o lançamento de um tênis de R$ 1.000,00 que imaginei que nenhum louco o compraria. Em pouco tempo muitos usavam, boa parte gente simples. Aparência vale tudo.

Não resta dúvida que este é o país que tem por opção o mais barato, precário, imediato, a aparência. É histórico, sempre foi assim. Olhem nossas cidades, o melhor espelho do que somos como coletividade, como sociedade. Olhem as periferias e favelas com suas ruas e vielas feias, sujas, tortas, sem verde; casas de aparência externa malcuidadas e interiores limpos, bem cuidados, de encher de orgulho vaidoso seus proprietários, principalmente a TV de 'n' polegadas na apertada sala que quase coloca o nariz dos moradores na tela, e geladeira, fogão e demais complementos impecáveis da linha branca na cozinha. Dentro tudo. O coletivo não é de ninguém. O orgulho é meu. "Os pobrema é dos outro".

A baderna que vivemos neste país, que não é de agora, só será superada quando começarmos a respeitar nossas cidades, para que estas sejam locais agradáveis, tranquilos, onde a população viva em paz. Coletivo, portanto com diálogo, muito diálogo. Não há outro caminho.

"Nem um centímetro a menos (das ciclovias)" não olha para cidade (de São Paulo), nem para os ciclistas. Olha para o imediato, o status entre os iguais. Tão parecido com desfilar com um tênis caro de marca importada...

terça-feira, 23 de maio de 2017

mais que uma questão de cidadania...

Espanha, mais de 60 milhões de turistas\ano, 14% PIB

Andalucía, 

Córdoba, 329.000 habitantes, 20 museus
Museu Julio Romero Torres - http://museojulioromero.cordoba.es/?id=1 
Mesquita Catedral de Córdoba - https://mezquita-catedraldecordoba.es/ - uma das principais obras arquitetônicas do planeta - embasbacante!
e ...

Málaga, 569.000 habitantes, 36 museus - 27 museus nos guias de turismo
Museu Carmen Thyssen Malaga - http://www.carmenthyssenmalaga.org/en/
Museu Picasso Málaga - http://www.museopicassomalaga.org/ - está com a exposição Bacon, Freud e a Escola de Londres, coisa para raros museus do planeta.
Museu de Málaga - http://www.museosdeandalucia.es/cultura/museos/MMA/ - umas 3 vezes o tamanho do MASP, com uma coleção maravilhosa de pintores espanhóis
Centre Pompidou Málaga - http://www.centrepompidou-malaga.eu/
e ...

E o... Brasil?
São Paulo, principal cidade do país, mais de 12 milhões de habitantes, um dos PIBs mais altos do mundo...
Como estão nossos museus e patrimônio histórico? 
Como está nossa cultura?

Abaixo o editorial da revista Beaux Arts sobre presidentes, a política de cultura na França e sua importância na macroeconomia.
Temos que sair desta baderna que o país está atolado e para isto é bom que se pense em prioridades, passo a passo. Dado o caos que nos encontramos não tenho dúvida que cultura não está entre os primeiros passos, mas creio que ninguém tem dúvida que educação, portanto cultura, deve estar entre futuros e inevitáveis passos para de fato se ter um Brasil que queremos. 
Ler este editorial prova, mais uma vez, outra vez mais, que nosso abismo é muito maior que temos certeza. Dá 'pistas' do porque a França tem a política de cultura que tem.
 


sábado, 20 de maio de 2017

A opção pelo carro preto

Um dia virou moda no Brasil ter carro preto. Sempre achei estranho porque carro preto era a cor oficial dos carros do poder público, o que naquela época era símbolo de coisa errada, jeitinho, corrupção, do que lutávamos contra. Era de se estranhar também porque vivemos em um país tropical, portanto (para quem não sabe) com clima quente, e preto é a cor que mais absorve calor. Ar condicionado em carro era coisa rara, cara, de gente poderosa; a maioria fervia dentro de seus carros pretos. A moda virou mania e colou.
Tínhamos acabado de sair de uma ditadura (dentadura) e nela o gosto popular era por carros coloridos, alegres, descontraídos: azul calcinha, verde abacate, vermelho malagueta... E aí entramos nesta democracia que hoje mostra suas horrorosas entranhas com o maior sonho de consumo justamente o símbolo dos "autoritários e poderosos". Vai lá entender. 
Poderia dar outros exemplos, mas creio que sejam bastante óbvios, basta pensar.




Não é de se estranhar que no meio desta luta de toda sociedade contra qualquer segregação a luta do cicloativismo tenha seja exatamente a segregação da bicicleta em todas as vias da cidade, mesmo onde não faz sentido ou não é necessário.

Outro dia ouvi algo que pode ser traduzido como "o tecnicamente correto não atende necessariamente aos parâmetros da ideologia", ou seja, melhor guiar-se pela ideologia do que pela lógica e bom senso. Desculpe, mas não consigo chegar lá; não entendi.

"Nem um centímetro a menos (de ciclovias)" é o slogan de luta de boa parte dos cicloativistas. E nestes termos "retomaram", ou retornaram, como queira, a ciclovia da rua Dr. Fausto de Almeida Prado Penteado, pirambeira em curva por onde dizem que passam ciclistas (só vi coxinhas domingueiros vestidos de franga pedalando bicicletas nada populares). Poderia até ser caminho para uma comunidade próxima vizinha ao Shopping Cidade Jardim, mas como acredito na inteligência e bom senso de seus moradores, acredito que eles prefiram o caminho plano e mais rápido pela calçada na marginal, onde se pode ver vários ciclistas e pedestres a qualquer hora do dia. A mesma calçada que a administração Haddad deixou durante boa parte de seu mandato tomada por mato e lama, intransitável, obrigando seus moradores caminhar no asfalto expresso. Denunciei o fato aqui.
"Nem um centímetro a menos" justamente num bairro coxinha, não uma coxinha qualquer, mas coxinha da cozinha do Restaurante Fasano? Eu sei; "Vocês são a verdade, a revolução, o futuro"? É mesmo? Desculpem, mas prefiro o diálogo, prefiro o passo atrás em nome do acordo social. Eu prefiro a paz.

O carro preto em país tropical é símbolo de prepotência, de falta de inteligência. Os tempos são outros, a vida mudou, as prioridades também, mas a bicicleta de dias atuais lembra tanto os carros pretos....

domingo, 30 de abril de 2017

qualidade, durabilidade, baixo custo, equidade

fragmento de calçamento Romano século II dC, Córdoba, Espanha
O Brasil precisa imediatamente formar calceteiros, especialistas em construção de calçadas. 





sábado, 29 de abril de 2017

O que fazer?

"Você viu que a vida pode ser diferente, que podemos sair da mesmice, da rotina, Não é tão difícil e dá prazer. Ótimo. Agora, você falou e reclamou de um monte de coisas. O que você vai fazer para tentar mudar pelo menos uma destas coisas".
Este comentário é sobre o texto "Brasil periferia, um passeio divertido - se não fosse trágico" que publiquei aqui neste blog. O que vou fazer para mudar alguma coisa neste Brasil do nunca antes é a pergunta que venho me fazendo sem parar, muito antes deste comentário pertinente. Minha resposta até aqui é não sei.
Tenho certeza sobre o que se tem que se deve fazer para colocar um trem chamado Brasil nos trilhos e faze-lo retomar a marcha, mas não faço a mais remota ideia de como vender o peixe, principalmente nestes tempos onde a palavra "democracia" serve para qualquer coisa, inclusive para substituir o bom senso e a lógica. Chegamos ao ponto onde é politicamente correto e imperativo respeitar ideias e vontades individuais, mesmo as de um inepto, mesmo que isto leve ao colapso coletivo. Provas disto é que não faltam. Assim como estamos num tempo no qual conhecimento e experiência valem pouco. Falar com conhecimento de causa pode ser tido como arrogância ou pior.
Talvez o Brasil precise de direitos e deveres coletivos; não sei, quem sabe? Dever coletivo, responsabilidade coletiva? Talvez qualidade. Cair a ficha que somos um país pobre de riquezas materiais e intelectuais? Parar de falar sobre saúde, educação e segurança? Parar de reclamar e agir, como disse o comentário? Com certeza. Agir? Mas como, como se faz no meio desde tiroteio de cegos?
calçada e calçamento em Lisboa
Milão: 25 anos de garantia para obra pública
Amsterdam: escola
Estou tentando acionar a garantia da obra feita pela Operação Faria Lima \ Pinheiros para que conserte as calçadas que já estão caindo aos pedaços, isto 5 anos depois da entrega da obra. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Ana Maria Hoffmann, dispensada

Ana Maria Hoffmann, de casaco marrom, numa reunião do Projeto GEF Banco Mundial, 2005
Ontem me comunicaram que Ana Maria Hoffmann foi dispensada da SVMA de São Paulo. Acompanho seu trabalho desde a época do Projeto Ciclista, isto lá pela metade da década de 90 e afirmo que Ana foi essencial para chegarmos onde estamos hoje. Não, Ana não faz parte do pelotão de frente. Ana é aquele tipo que trabalha nos bastidores e que quando faltam fica um vazio difícil e até mesmo impossível de ser superado. Ana Maria Hoffmann foi uma espécie de secretária de toda a questão pública relativa à bicicleta. Ana organizou todos trabalhos e projetos apresentados, realizados ou importantes para o Município de São Paulo, o que não é pouco. Até pouco, quando estive no meio do furacão, Ana esteve presente em praticamente toda reunião, evento, ou acontecimento, de onde tirava e organizava o que era mais relevante. É um trabalho de inteligência, uma destas inteligências que não tem preço, que facilita a vida de todos, principalmente na e da coisa pública.
Uma das primeiras dicas que tive quando comecei a trabalhar foi: "Quer chegar a essência, ao que importa, ao que vai dar resultado? Veja o que pode tirar da secretária." Dica de ouro. Chefes muitas vezes sequer sabem qual é o horário no dentista, por mais latejante que esteja o dente. 
São Paulo perde muito com a saída de Ana Maria Hoffmann da Secretaria do Verde. Perde a população e a administração pública. A questão da bicicleta perde mais ainda. Perde para valer. Perdemos uma interlocutora preciosa que trabalhou para o bem de todos, não só ciclistas. Triste, muito triste.

Se quisermos transformar este país, fazer disto aqui um lugar mais justo, digno e prazeroso, precisamos respeitar quem tem história, quem construiu e contribuiu com um trabalho honesto. Descartamos inteligências, conhecimentos e sabedorias como se descarta saco de salgadinhos. Ou mudamos isto imediatamente ou não temos qualquer futuro; disto não tenham dúvida.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Brasil periferia: um passeio divertido - se não fosse trágico

Estou ligado na tomada 220. Foi um dia atípico, dos que quero viver com mais "freequência" (free + frequência; errei, mas gostei) daqui para frente. Preciso mudar, estou mudando aos trancos e barrancos. Não aguento mais o que está ai no dia a dia e saí pedalando, venci meus medos e fui buscar umas linguetas de trava de janela que só são encontradas numa empresa no Campo Limpo, rua Prof. Oscar Campiglia 92, onde Judas perdeu as bostas. 
De Metro ou bicicleta? De Metro iria seguro e estaria a uns 1.500 de lá. De bicicleta estava com medo de pedalar na ciclovia do Pinheiros entre a Ponte Cidade Jardim e a João Dias, onde contam um montão de histórias sobre assaltos. Da ponte João Dias são mais uns 4 ou 5 km num trânsito que me lembro chato e perigoso. Vamos lá! coragem! bicicleta!
A ciclovia do Pinheiros é linda, principalmente no trecho sul, rumo à represa. Entrei nela e demorei para relaxar. Precisei cruzar uns tantos ciclistas com cara tranquila para que deixasse de ficar buscando vultos no meio das folhagens. Neurose? Exagero? Pode ser. Deve ser. Somos uma sociedade treinada para sentir medo. Falta de segurança é um dos negócios mais rentáveis deste país, mais de R$ 200 bi/ano. Todo mundo acha normal; porque também não posso me sentir inseguro?
Sai da ciclovia e cai no trânsito da João Dias e depois Estrada de Itapecerica. Para meu espanto muito mais tranquilo que imaginava. E continuei tranquilo. Um bom trecho numa ciclofaixa à esquerda da avenida Carlos Caldeira Filho, diga-se de passagem, suja, claramente pouco usada e beirando um córrego em estado vergonhoso. Dobrei na Estrada do Campo Limpo, sobe, desce e cheguei onde queria, feliz, topo de morro, vista para Taboão e edifícios do Morumbi. Bela vista. 
A volta? Bem, porque não voltar pelo meio de Campo Limpo e Eliseu de Almeida? "Não é tão longe" disse e vi um sorriso maldoso de um motorista que ali estava.
Entrei na Estrada do Campo Limpo e fui para a aventura pelo meio do bairro. É óbvio que cheguei distraído num cruzamento e segui a esquerda, quando deveria ter virado a direita. Nem percebi. Pedala, pedala, pedala, e uma hora decidi perguntar. (Já sei: deveria ter aberto o celular e olhado o mapa, mas confesso que estava me divertindo perdido, ou meio perdido). O sujeito a quem fiz a pergunta assustou quando disse que ia para Pinheiros pedalando, e apontou, "Sobe aquela rua que você vai dar na (rodovia) Regis (Bittencourt)". Ops. Vamos lá. E cai na Regis uns 3 ou 4 km para lá de Taboão. 
A volta foi divertida, me sentindo livre por estar pedalando numa rodovia. Medo de pedalar em rodovia? Medo dos carros? Nada! Que vontade de tomar o sentido contrário e ir para Curitiba, sumir. Uns quilômetros a frente o centro de Taboão, a esquerda para a Eliseu de Almeida, e ainda cheguei a tempo de receber o pessoal para o almoço. Feliz, muito feliz, e triste ao mesmo tempo.
Feliz porque sai do meu mundinho de "zelite" e fui pedalar num outro Brasil, no Brasil geral, o Brasil de todos. Triste.
Conheço boa parte de São Paulo e alguma coisa da região metropolitana. Não conhecia o lugar onde pedalei, a divisa entre Campo Limpo e Taboão. Infeliz urbanização pobre, sujeira e algum entulho nas ruas, casas e negócios feios e ou mal conservados, calçadas ruins, pouco arborizado, zero paisagismo, lugar comum nas cidades brasileiras, principalmente nas periferias. O futuro de paz e justiça social passa obrigatoriamente por cidades civilizadas. Brasil é uma grande periferia; que futuro temos? Como mudar isto? Como vender a ideia para aquele povo que a cidade pode ser infinitamente melhor, muito mais civilizado? Que parâmetros eles tem para saber o que é civilizado, o que deve ser uma cidade, um bairro, uma vida coletiva, e quais reflexos disto sobre a segurança e equilíbrio social?  

Olhe para as tomadas de sua casa. São as antigas usadas por mais de 30 países ou são as novas, as tomadas do PT. Pois bem, ai é que abaixaram as calças de toda a população brasileira, eu, tu, ele, nós, vós, eles, e viram que mesmo numa situação tão absurda como a introdução obrigatória de modelos de tomadas unicamente brasileiros ninguém falou nada. Não perguntaram o porque, não pediram pesquisas que justificaram, não se importaram com a indústria nacional, não fizeram nada. Silêncio total e absoluto. E enfiaram as tomadas do Lula e PT na bunda de todos. Hoje temos uma tomada exclusivamente brasileira, que orgulho!
É difícil, vide o número de manifestantes que saíram às ruas contra o foro privilegiado e o voto em lista fechada, dentre outras barbaridades que podem afundar o Brasil de vez. Com certeza não há interesse da população em construir um Brasil melhor. "Não vai fazer diferença" ouve-se de bocas de todos níveis sociais e culturais. UAU!
Com as tomadas do PT fizeram um teste de mercado e deu neste Brasil que temos ai. Parabéns a todos!

quinta-feira, 23 de março de 2017

Fechamento do MuBI: Brasil, um país sem memória

Fazia muito tempo que não sentia dor no peito, aquela dor profunda, imensa, dor de tristeza, dor de desalento. Ontem senti, hoje um pouco menos, amanha passa, diriam meus amigos. Nossa memória é curta, principalmente de quem é brasileiro.
Sexta-feira passada recebi a notícia que o MuBI, Museu da Bicicleta de Joinville, fechou as portas definitivamente. Valter Busto, o responsável pelo MuBI, foi avisado num dia para retirar a coleção praticamente no outro. Não sei exatamente o que aconteceu, qual a razão. Faz uns anos o museu também foi fechado depois de uma besteira tipicamente tupiniquim e depois de uma longa briga voltou a abrir. Desta vez acabou. Não interessa a cultura, não interessa o relativo sucesso do MuBI nestes 17 anos de existência, não interessa a preservação do passado, enfim não interessa e ponto.

O desrespeito com sua história é uma das marcas registradas deste Brasil brasileiro. A despreocupação com os museus pode ser medida na baderna e quase falência que atingiu o MASP, Museu de Arte de São Paulo, não faz muito tempo. Se o mais divulgado e famoso museu da cidade mais rica do país, 17% do PIB nacional, passou pelo que passou imagine o resto dos museus ou entidades de preservação da memória nacional vivem. Vide a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro só como mais um exemplo de tão vergonhoso é nojento. Nossas igrejas, palácios, fazendas, cidades históricas...
Conheci Joinville ainda quando tinha cara de Joinville. Era uma poesia. Hoje é uma cidade brasileira qualquer com uns resquícios da Joinville verdadeira. Quando começou a modernização (???), com a derrubada de antigas casinhas ou deformação de fachadas, dei uma entrevista numa rádio de lá e falei sobre a importância de preservação da linda e rica história da cidade e seus cidadãos. Não demorou muito a rádio começou a receber telefonemas, muitos deles ameaçadores. Neste contexto fechar um museu não significa nada, mesmo que Joinville tenha orgulho de ter sido a "cidade das bicicletas" com seus congestionamentos de bicicletas na saída da Fundição Tupi e ciclistas, homens e mulheres, pedalando por toda parte.

Na mesma sexta-feira estive em Piedade, interior de São Paulo, próximo a Sorocaba, para conversar com a escola de minhas sobrinhas netas. Quero ajudar na educação delas e achei que poderia oferecendo palestras ou conversas sobre o que está sendo feito com as cidades mundo afora. O coordenador da escola, Miro, inteligente, vivenciado em educação e viajado, colocou com sabedoria que mostrar outras realidades para aqueles pais de alunos "poderia" ser contraproducente. Talvez até ofensivo, entendi eu. Não duvido. Não se deve falar mal da cidade onde vivem - que é a melhor cidade do mundo, devem pensar. Já ouvi esta história muitas vezes, mas imaginei, melhor dizendo, sonhei que tinha mudado.
Brasileiro não aceita sequer comparações desfavoráveis, o que dizer de críticas. As cidades brasileiras são um desastre. Tirando raríssimas exceções, não tem personalidade, não tem história. Foram todas desintegradas em nome de um moderno, de um futuro, de um progresso pobre, mesquinho, sem sentido. 
Vários estudos apontam que a preservação da história de um povo é um dos melhores caminhos para a estabilidade social e que a memória é o caminho para o progresso sustentável. Aprendemos com erros e acertos. Mas quem de nós brasileiros se interessa?
Como brasileiros continuamos sendo usurpadores de uma terra. História? O que é isto? Para que serve? Principalmente, para quem serve?

Valter no MuBI
O fechamento do MuBI ironicamente acontece no meio do fervilhar do renascimento da bicicleta no Brasil. Quem se importa?
Querendo ajudar: Valter F. Bustos - val.bustos@hotmail.com 
Coordenador da EMem/MuBi, Vice-Presidente da ABAJO e Bike Jornalista
em Joinville/SC.


E agora ouvi na Rádio Eldorado na Crônica da Cidade com Antonio Penteado Mendonça: “Mundo brasileiro é dos malandros ou dos espertos”. Alguém tem coragem de negar? Quem se importa?